Errante

Olhava-se de fora, como acostumara-se a fazer, e percebia-se cada vez mais distante da figura que caminhava aparentemente sem rumo, que falava com quem viesse, que sorria para quem viesse.

Cansara de passar o tempo explicando o que não havia para ser explicado; cansara de tentar parecer aceitável aos próprios olhos, cansara de fingir não se importar se as coisas funcionariam ou não – as coisas precisavam funcionar; não havia, à essa altura, qualquer outra opção.

Enquanto descia a rua em direção à cafeteria, perguntava-se a respeito de quem entraria lá naquele dia, quem passaria por sua mesa e se alguém o cumprimentaria. Às vezes tudo o que difere um dia bom de um mau é apenas isso: um cumprimento.

As palavras que seguem a isso são puro destino.

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