Errante

Olhava-se de fora, como acostumara-se a fazer, e percebia-se cada vez mais distante da figura que caminhava aparentemente sem rumo, que falava com quem viesse, que sorria para quem viesse.

Cansara de passar o tempo explicando o que não havia para ser explicado; cansara de tentar parecer aceitável aos próprios olhos, cansara de fingir não se importar se as coisas funcionariam ou não – as coisas precisavam funcionar; não havia, à essa altura, qualquer outra opção.

Enquanto descia a rua em direção à cafeteria, perguntava-se a respeito de quem entraria lá naquele dia, quem passaria por sua mesa e se alguém o cumprimentaria. Às vezes tudo o que difere um dia bom de um mau é apenas isso: um cumprimento.

As palavras que seguem a isso são puro destino.

•••

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s