Homilia

Não havia drama no que fazia: esse tempo passara.

Houve dias, sim, onde procurou repostas; e em sua busca, foi além do que normalmente iria. Conversou muito, ouviu muito, indagou muito; nas respostas que ouviu, não encontrou o que buscava – ainda que não soubesse exatamente o que era. Recebeu conselhos que não pediu, apresentou seus motivos – mas não havia quem parecesse entender: nessas horas lhe vinha a angústia, a vontade de segurar a cabeça do outro pelas orelhas e de gritar para ver se suas palavras poderiam, à força, encontrar caminho. Mas enquanto opinavam – de dentro de seus ternos e de seus carros e de seus relógios e de seus apartamentos financiados em 30 anos – não estavam de fato dispostos a ajudar: queriam apenas ouvir sua própria voz, seus próprios conselhos, tentando convencer a si mesmos de que as sua escolhas foram as corretas.

Talvez fossem. Para eles.
Para eles.

Por isso, não havia drama no que fazia. Concluíra, apenas, que já não havia motivo para estar aqui.

Deixara a porta destrancada e, com um breve suspiro, partiu.

•••

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